sábado, 10 de setembro de 2011

OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

                                                                                          Por Geani M. Cavallaro

A sociedade passou e ainda passa por profundas transformações, seja em sua forma de se relacionar, de consumir, de morar, de viver e também de aprender e ensinar.  Não há como negar, as mudanças oriundas  dos avanços tecnológicos tiveram como um dos reflexos a  socialização da informação, bem como, uma elevação no volume destas.
A globalização, acentuada pela conectividade e interatividade e a rapidez com que as mudanças acontecem exigem que o processo  de aprendizado seja constante, dinâmico e adequado a realidade de cada individuo.
A educação não pode mais ficar apenas trancada em uma sala de aula, sob a responsabilidade exclusiva do professor, como único agente transformador para o aprendizado o aluno é co-responsável no processo ensino-aprendizagem, pela  busca do saber. Ao educador cabe encontrar novas formas de se comunicar e estreitar o relacionamento professor-aluno.
É diante deste cenário de rápidas transformações, acumulo de informações  e exigência continua de atualização, que a Educação à Distância (EaD) ganha a cada dia mais espaço e força no ambiente educacional. Segundo  Maia e Mattar (2007), a EaD é uma modalidade de educação em que professores e alunos estão separados, planejada por instituições e que utiliza diversas tecnologias de comunicação.
A distância  que existe é apenas uma separação física, uma vez que se espera que o a instituição de ensino e o instrutor devem  desenvolver formas de se estabelecer um diálogo e o estreitamento entre o professor e o aluno,  segundo Moore apud Mattar (2011):
O sucesso do ensino a distância depende da criação, por parte da instituição e do instrutor, de oportunidades adequadas para o diálogo entre professor e aluno, bem como de materiais didáticos adequadamente estruturados. Com freqüência isto implicará tomar medidas para reduzir a distância transacional através do aumento do diálogo com o uso de teleconferência e do desenvolvimento de material impresso de apoio bem estruturado.
O grande desafio do educador está em encontrar maneiras adequadas de diminuir a distância transacional  entre professores e alunos. Em visitas a sites e blogs que abordam o tema  Educação à Distância, é possível observar que o diálogo estabelecido gira em torno do desafio do desenvolvimento e aplicação adequada  das TIC´s no ensino e no estreitamento das relações com os alunos por meio de ferramentas de comunicação.
São inúmeras as ferramentas que se abrem, dos já conhecidos e desafiadores fóruns ao Ambientes Pessoais de Aprendizagem ou Personal Learning Environments (PLEs) aos Mundos virtuais 3D como o  Second Life, no entanto, ainda se busca no papel de educador a melhor aplicabilidade e adequação a cada realidade.
A capacitação do docente para a educação por meio do ambiente virtual é fundamental para se estabelecer um ensino de qualidade com a adequação de ferramentas e conteúdo a realidade de cada grupo, curso ou disciplina.
Não se pode transformar a educação à distância em um meio de produção de massa, em um modelo fordista de ensino.  As inúmeras possibilidades trazidas pelas inovações tecnológicas devem e precisam ser usadas como um fator de aprimoramento e atualização do ensino, como um socializador da educação, mas não pode ser encarada como o fim por si só. 
A figura do professor ainda é continuará necessária, afinal, o homem é um ser social e precisa se relacionar.  Para John Donne , poeta inglês  do século XVII , “ nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme”.
Por mais que as tecnologias nos tragam acessibilidade, agilidade e independência, ainda assim, a educação é um processo de troca e contribuição constante. É fundamental manter valorizadas as relações humanas.
Dessa forma, cabe ao educador buscar soluções que o conectem com a realidade de mudança e inovação atual, contudo, mantendo o equilíbrio entre a inovação e a realidade de seu alunado, sem esquecer que o ponto crucial para a educação, é o respeito e o diálogo estabelecido com seu aluno.  Seja através das TICs ou ainda no ambiente físico de sala de aula.


Referências Bibliográficas:

BELLONI, M. L. Educação a distância. Campinas: Autores Associados, 1999.

MATTAR, João. História Da Educação a Distância. Departamento de Extensão e Pós-Graduação. Anhanguera Educacional, 2011.

MATTAR, J.; VALENTE, C. Second Life e web 2.0 na educação: o potencial revolucionário das novas tecnologias. São Paulo: Novatec, 2007.

Site Brasil Escola. Educação. As Tic´s no contexto da ead: limites e possibilidades. Disponível em :  http://www.brasilescola.com/educacao/as-tics-no-contexto-ead-limites-possibilidades.htm . Acesso em 20 de Agosto de 2011.

Um comentário:

  1. Geani, concordo completamente com os argumentos que apresentou, pois a educação é de fato um processo de valorização das relações humanas.

    É neste sentido que os desafios da EAD decorrem da própria estrutura de sustentação do modelo, que é o tripé:

    - políticas da instituição de ensino (modelo pedagógico adotado, composição do conteúdo e práticas de avaliação)

    - atuação do professor (tutor ou docente online) que deve atuar como estimulador da aprendizagem, direcionador dos questionamentos e fomentador das interações entre os particiantes

    - perfil do aluno a distância (que deve ser estimulado para o autodesenvolvimento, disciplina e independência).

    É a combinação destes elementos que compõem a "receita" de um curso a distância que preza pela qualidade e efetividade do aprendizado.

    Um abraço,
    Daniela

    http://sabersemdistancias.blogspot.com/

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